Prevenção e violência contra a pessoa idosa

O Brasil possui, aproximadamente, 23 milhões de brasileiros com mais de 65 anos, segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Destes, 2,6 milhões estão em Minas Gerais – o que torna o estado o segundo com o maior número de pessoas idosas, ficando atrás somente de São Paulo. Com o aumento da expectativa de vida da população, são necessárias ações de promoção à saúde e conscientização para oferecer uma melhor qualidade de vida à população idosa.

Em função disso, a equipe de web jornalismo do Canal Minas Saúde conversou com a coordenadora Estadual de Atenção à Saúde do Idoso da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Dra. Eliana Bandeira, que é médica clínica especializada em saúde do idoso e está na coordenadoria há 11 anos, desde a criação. Na entrevista, ela fala sobre envelhecimento saudável, enfrentamento da violência contra a pessoa idosa e faz um balanço das ações da Rede Mais Vida de Atenção ao Idoso. Acompanhe:

1) É possível envelhecer de forma plena e saudável? Como se preparar para isso?

Sim. Para que uma pessoa tenha um envelhecimento saudável o indivíduo precisa ter hábitos saudáveis. Isso implica numa boa alimentação, atividade física e condições básicas de moradia (saneamento básico, entre outras).

2) O Cuidador de Idosos é uma profissão que tem crescido nos últimos tempos. Quais são as dicas que a senhora dá para as famílias antes de contratar este tipo de profissional?

Devido ao aumento da expectativa de vida da população as pessoas vivem mais e conseqüentemente há um aumento do número de idosos, particularmente, os mais idosos. Antes de contratar um Cuidador de Idosos a família deverá investigar se este profissional é realmente capacitado, por qual empresa e se o mesmo tem boas referências.

3) Fale um pouco da Rede Mais Vida de Atenção ao Idoso. Como está o programa? Quais as expectativas e os resultados alcançados?

A rede Mais Vida é um projeto estruturador do governo de Minas Gerais na área da saúde com vistas à melhoria da qualidade de vida da pessoa idosa. Tem como propósito ofertar padrão de excelência nas ações de saúde, visando à longevidade da população para agregar anos à vida, com independência e autonomia. Fundamenta-se na constituição de uma rede macrorregional integrada de atenção à saúde do idoso.

As expectativas se dão na descentralização das ações na saúde do idoso; na implantação do projeto de matriciamento dos profissionais  da atenção primária à saúde para ações resolutivas de saúde do idoso e suporte na operacionalização do Plano de Cuidados; na realização de censo para diagnóstico situacional das Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI) do Estado; além de propor ações para qualificar a atenção à saúde dos residentes em ILPI; estimular ações de enfrentamento da violência contra a pessoa idosa e promover campanhas (publicitária e educativa) para prevenção da saúde do idoso. Abaixo, é possível ver os resultados alcançados:

4) Quais os impactos à saúde do idoso com a implementação da Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa desde 2007 pelo Ministério da Saúde?

É um documento muito importante para o idoso já nela são registrados os dados mais importantes relacionados á sua saúde e seu acompanhamento.

5) O que fazer em casa para evitar acidentes domésticos com o idoso? É preciso sensibilidade da família para fazer esta adaptação?

A queda é uma causa evitável de incapacidade. O idoso, abruptamente pode se tornar incapaz de realizar as atividades cotidianas ou mesmo ficar acamado. Em algumas circunstâncias pode levar ao óbito. É preciso sensibilizar a família com relação à adaptação ambiental. Tirar objetos que podem causar a queda como tapetes e outros objetos soltos e espalhados pelo chão, manter os ambientes sempre iluminados e á noite deixar sempre uma luminária acesa, adaptar banheiros (barras de apoio no vaso e dentro do box e adequar a altura do vaso sanitário e tapetes antiderrapantes), colocar corrimão em escadas e rampas e uso pelo idoso de calçados adequados (solado antiderrapante e fechado no calcanhar).

6) Mesmo aposentado, o idoso volta para o mercado de trabalho, se dedica aos estudos ou até mesmo intensifica a prática de atividades físicas. Até que ponto isso é saudável? O idoso precisa ficar atento as suas limitações para não se frustrar? Como evitar a chamada “mortalidade social” onde o idoso é excluído ou rejeitado?

O idoso deve permanecer o maior tempo possível ativo, seja trabalhando fora ou realizando outros tipos de atividade que proporciona a socialização. A partir do momento que o idoso se isola, temos um motivo de preocupação, pois não é normal o isolamento social, já que para vivermos precisamos estar em contato com outras pessoas.  A longevidade e a qualidade de vida estão relacionadas à sociabilização. Enquanto indivíduos ativos devemos respeitar nossas limitações e não nos expor a  situações de risco para  nos sentirmos  mais confortáveis.

7) Na sua avaliação, o que a família precisa ponderar (ou o próprio idoso) precisa ponderar antes de ir para o asilo. A possível exclusão do núcleo família pode gerar problemas?

O idoso normalmente é institucionalizado quando não existe um suporte familiar adequado para arcar com sua incapacidade além de situação sócio-econômica e da estrutura família precários. Em muitos casos os integrantes das famílias precisam trabalhar e não tem com que deixar os idosos gerando a necessidade da institucionalização como forma do manter o cuidado.

8) O tema deste ano da Semana do Idoso é a questão da violência contra o idoso no ambiente intrafamiliar que ainda é muito latente e subnotificada. Na sua opinião, o que fazer para reverter este quadro?

Conscientização das famílias com a relação às necessidades da pessoa idosa. Divulgar na mídia a importância do combate contra a violência e demonstrar quais são os tipos da mesma e como denunciá-la.

9) Vez ou outra nos noticiários vemos casos de familiares ou pessoas próximos abandonando idosos em Hospitais ou até mesmo na rua. Como o poder público pode ajudar neste caso?

Penalizando as pessoas que acometem esse tipo de violência. A lei prevê pena de detenção de 6 meses a 1 ano e multa por discriminação, 6 meses a três anos  e multa  em casos de abandono podendo chegar até a 12 anos quando houver indícios de óbito por maus tratos ao idoso.

10) O Disque Direitos Humanos (0800 031 11 19) tem sido um importante instrumento de denuncia contra a violência ao idoso. Na sua opinião, qual foi o impacto deste sistema na sociedade?

Tem a responsabilidade de atender, analisar a denúncia e encaminhá-la para os órgãos pertinentes para tomada de decisões. Seu impacto na sociedade é que a partir da detecção da denuncia ela será apurada e a penalização do infrator.

Fonte: SB Sono e Saúde